Jovens adiam entrada no mercado de trabalho para investir nos estudos
A taxa de desemprego no país é a menor em mais de dez
anos. Isso acontece, em parte, porque tem menos gente procurando trabalho. E,
para os especialistas, esse fato não é uma má notícia.
Alguns anos atrás, a estudante de doutorado Tina Selles
se deparou com uma dúvida: “Quando eu saí da graduação, pensei: ‘E agora, o que
que eu faço: vou para o mercado de trabalho ou continuo a estudar?’”.
Ela decidiu continuar estudando e não trabalhar. Outros
milhares de brasileiros fizeram o mesmo, criando uma situação curiosa no
mercado de trabalho no Brasil.
A taxa de desemprego cai no Brasil há mais de uma década.
Até 2008, isso acontecia porque muitas vagas eram abertas e muita gente entrava
no mercado de trabalho. Depois disso, a taxa continua a cair, mas porque tem
mais gente decidindo não trabalhar. E, quando a pessoa não está procurando
emprego, ela não conta como desempregada, não entra no cálculo e o índice cai.
Quem mais está optando por não trabalhar são mulheres e
jovens, entre 18 e 24 anos. Com salários mais altos, os pais conseguem manter
os filhos na universidade sem que eles tenham que trabalhar.
Na república onde Tatiana mora, nem ela nem nenhuma das
outras quatro meninas trabalha.
“Eu acredito que vou entrar no mercado de trabalho mais
preparada”, comenta a estudante.
O fenômeno tem dois reflexos principais. Agora, causa
falta de trabalhadores.
“Em Porto Alegre, o desemprego está abaixo de 3%. No Rio
de Janeiro, é próximo a isso também. Pouca gente entrando no mercado de
trabalho e empresas buscando uma quantidade importante de trabalhadores”, diz
um especialista.
Mas, em longo prazo, adiar a entrada no mercado de
trabalho pode ser uma boa notícia.
“No longo prazo, uma força de trabalho mais bem educada
tende a gerar impactos positivos de produtividade”, destaca outro especialista.


04:46
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